Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.
Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
Rosa Lobato de Faria (1932-2010)
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Há pessoas que ao morrerem parece que levam consigo um pedacinho do nosso passado. Foi isso que senti quando há pouco ouvi a notícia da morte da Rosa Lobato de Faria. Nos finais dos anos 60 ela era cliente da minha mãe e quando o teu pai, Nona, terminou o curso e esperava ser chamado para a tropa (que tempos distantes...) a Rosa Lobato de Faria arranjou-lhe um emprego na equipa de trabalho dela na Crediverbo - na altura a venda directa de livros estava a dar os primeiros passos. Foram tempos divertidos, descomprometidos, bem remunerados, em que eu muitas vezes também estive presente.
ResponderEliminarÉ a vida...
ResponderEliminarvi há bocado na SIC Notícias